quarta-feira, 20 de abril de 2011

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A minha vontade tem nome. O meu desejo tem sobrenome.

Pego as chaves do carro que estão jogadas em cima da mesa de jantar. Olho para elas e sei que uma delas dará a partida no que chamo de desejo.

A linha amarela nunca pareceu tão longa. Carros desviam-me de minha direção, motos embarreiram meu sentido. Neste momento, sou apenas fogo em brasa.

O porteiro olha pro meu rosto, e abre uma risada leve quando me reconhece. Abre o portão para que eu consiga aliviar-me da saudade que vem aumentando a cada hora, a cada dia que passa sem o seu beijo.

O elevador parece mais cheio do que o costume. Pessoas, cães e carrinhos de feira lotam o espaço que deveria ser reservado apenas para mim e o meu desejo. Toco a campainha com o coração na mão, o nó no peito que não se desfez desde nossa despedida naquele taxi. Você me recebe com o sorriso largo, como de uma criança que acabara de receber uma guloseima. Eu sou o seu doce.

Você me olha com o ardor do desejo e me pega pela mão, conduzindo-me para dentro do seu íntimo. Sou apenas mãos e língua. Carne e pecado. Encosto-a na parede do seu quarto, viro-a de costas pra mim e afasto seu cabelo, beijando cada parte do seu pescoço, enfiando minha língua em seu ouvido e sussurrando o quanto isso me fez falta. Você gosta e geme implorando para que eu faça mais coisas. Encosta suas mãos na parede, se esfregando em mim, do jeito que só você sabe fazer. Você sabe que isso me deixa maluca. Você sabe como me provocar.

Tiro sua blusa, devagar. Você pede pressa. Quero levantar a sua saia, mas meus dedos estão ocupados desvendando o lugar mais úmido do seu corpo. Você quer mais dedos, você quer mais fundo. Eu quero lento e superficial. Molho meus dedos com o seu gosto na sua boca. Você adora e faz cara de quem vai explodir de prazer.

Acordo. Ainda estou em Hong Kong.

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